16/04/1930 - 12/07/2007
“Preciosa
é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos.” (Salmo 116.15)
Ainda estamos sob o impacto da morte de nossa querida irmã Azniv. Na ultima quinta-feira, a notícia do falecimento espalhou-se célere: “Azniv faleceu!” As pessoas custavam a acreditar. “Mas como, ela era tão alegre e jovial, como pode ser?” Sabemos que a Igreja espera uma palavra pastoral. “Que diremos pois a vista destas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?” (Rm. 8:31), exclama o apóstolo Paulo. Todos nós sabemos que é breve a nossa peregrinação neste mundo. Temos de nos render à soberania divina. No mesmo texto de Romanos 8, lemos: “todas as coisas concorrem conjuntamente para o bem dos que amam a Deus”. Azniv está com o Senhor. Certamente já recebeu os galardões e ouviu as palavras: “bom está serva boa e fiel... entrai na gozo de teu Senhor.” Uma perda para a família Kuyumjian e Guanabarina.

A
simpatia em pessoa
AZNIV KUYUMJIAN
Azniv nasceu
Azniv
deixa uma lacuna enorme em nosso meio e já estamos saudosos do seu
sorriso, da sua palavra sempre amiga e incentivadora. Transcrevemos
adiante o testemunho de seus netos. – É
sábado... campainha, beijos, abraços, mais beijos, perfume, “vai
tirando um aperitivo, vai! Quer um suquinho?” risadas, tios, sobrinhos,
netos, primos, FAMÍLIA, Bíblia, hinos, Deus.
Já
na mesa”, esfiha, coalhada seca, silêncio (porque a comida ta boa!,
“Você primeiro, depois eu!”, “Senta um pouco, Vovó!”, sobremesa,
risadas, bolo, pudim, sorvete, “Só mais um pedacinho, não quer?”,
comunhão, família.
“Tchau!
Até amanhã, na Igreja!”
São
tantas as palavras que vêm à mente quando pensamos na Vovó! Fica, acima
de tudo, o exemplo de mulher virtuosa, cristã verdadeira e serva fiel do
nosso maravilhoso Deus! Com seu coração enorme estava sempre pronta a
ajudar e a servir os outros. Cativava qualquer um ao seu redor. Seu
carinho, ALEGRIA e disposição vão deixar saudade, mas temos certeza de
que cumpriu seu papel.
Agradecemos a Deus pela vida dela! Pela mãe, esposa, avó que foi
e por tudo o que significou para os que com ela conviveram e foram
contagiados pela sua alegria.
Arthur,
Guilherme, Marcelo, Rachel, Jéssica, André e Gabriel.
TESTEMUNHO
“Com muitas lágrimas e dor no coração, fui ao enterro da D. Azniv Kuyumjian ontem. Foi o mais concorrido em que estive nestes últimos anos. As marcas de amor, bondade e serviço que ela deixou, cravaram fundo em todos os que ali puderam estar e muitas outras pessoas que nem chegaram a tempo, ou a saber a súbita informação de seu passamento. Para nós fica sua lembrança de modelo de mulher cristã, sempre servindo com alegria! Eu sempre dizia a ela: D. Azniv, quando eu crescer, quero ter sua estatura, ser como a senhora. Me ocorreu agora que temos que continuar crescendo, como ela, à altura de Cristo... para a visibilidade exemplar de quem passa pelo nosso caminho, principalmente das nossas futuras gerações. E que Deus mesmo perdoe nossas mancadas... Acho que vai ser duro chegar lá na igreja e não tê-la de braços abertos e palavras encorajadoras a todos nós... É a nossa vez de pegar seus modos e continuar plantando a semente da Graça de Deus!!!”
Ana
Maria C. Rocha.
13/7/2007
MENAK
PAROV AZNIV KUYUMJIAN!
Parev
Azniv!
(Olá Azniv!))
E a resposta vinha jovial e fraterna,
Em sua língua materna:
Pari
Lúis, Pateli!
(Bom dia, meu pastor!)
Intcbess es?
(Como está o senhor?)
Shad lav (muito bem), eu respondia;
Cena que se repetia, quase todo dia.
Azniv costumava dizer ser o Armênio
A língua falada pelos anjos no `milênio´.
Na verdade, esta era sua língua materna;
De um anjo que viveu aqui na terra.
(Ela não somente se dizia cristã.
Mas vivia Cristo em todo seu afã.)
Eis
seu currículo de vida:
Presidia a SAF do Jardim Guanabara,
Cantava contralto no Coral,
Assistia reuniões do D.M.O.,
Ensinava na Escola Dominical,
Participava das reuniões da Terceira Idade,
Atuava em Eventos, na UPA e na Mocidade;
Recepcionava, aos domingos, os visitantes
Aproximava os casais distantes;
Freqüentava o Grupo de Oração da terça-feira,
E o grupo Guanabara, na quarta-feira.
Comparecia aos Círculos da Federação,
Era líder também da Confederação.
Enfim; era organista, palestrante,
conselheira, auxiliadora, companheira...
Mãe, avó, irmã e amiga incondicional.
Menak parov, tsedesutiun, Azniv!
(Adeus, até breve)
Besaliel
F. Botelho/Rev.
ATÉ LOGO AZNIV
Irmã dileta
Luz dos meus olhos
Anelo de meus sonhos
Fonte cristalina
De sábios conselhos
Último remanescente
Dos companheiros
Da longa viagem
Caçula jovial
Polo de atração
Centro de gravidade
De gente sem conta
Nunca falhaste
De ser prestativa
De dar-te a ti mesma
De o bem semear
De fazer da vida
Pretexto para amar
Nunca traíste
Tua íntima vocação
De ser alegria
Reflexo risonho
Do encanto da vida.
Agora partiste
Num instante fugaz
Em silêncio de paz
Sem nada esperar
Sem fardo causar
Partiste serena
Serena deixaste
A terra mortal
Para do além acenar
Com gestos de amor
Partiste e deixaste
Vazio abissal
Que só a saudade
Pode querer preencher
Saudade infinita
Dá-me a tua mão
Faz da ausência sentida
Uma presença inefável
Reinventar a vida
Reaprender a ser
Recomeçar os passos
Da longa caminhada
Sob os olhares distantes
Daquela cujo nome
Evoca meiguice e ternura.
Até logo irmã dileta
Até logo minha querida Azniv.
Aharon Sapsezian
"A chama de uma vela pode se apagar de duas formas.
A primeira delas é quando a chama se apaga por haver queimado toda a luz que tinha para dar. Como se estivesse cansada de iluminar. Anuncia o seu fim. Sua pequena luz estremece e e simplesmente se apaga. A segunda é quando a chama está brilhando forte e iluminando. Está cheia de luz para dar. Aí, repentinamente, sopra uma lufada de vento e ela se apaga. Foi assim que a
Azniv se apagou. Dormindo.
Quisera que minha morte fosse assim"
Rubem Alves
Correio Popular, Caderno C, 22 de julho de 2007