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“O
JUSTO PERECE E NINGUÉM PONDERA ISSO EM SEU CORAÇÃO; HOMENS PIEDOSOS SÃO TIRADOS PARA
SEREM POUPADOS DO MAL. AQUELES QUE ANDAM RETAMENTE ENTRARÃO NA PAZ; ACHARÃO
DESCANSO NA MORTE” ISAIAS 57:1.
No dicionário, eutanásia significa o ato de proporcionar
morte sem sofrimento a um doente atingido por afecção incurável que produz
dores intoleráveis. Será o texto acima referente a uma eutanásia Divina? Isso
justificaria sua prática pelos homens?
No Brasil, a eutanásia é proibida por lei, e não pode ser praticada.
Mas será que a questão acaba aí? Certamente não. Novos termos
estão sendo introduzidos no debate, que é em essência ético, e não legal. Não
só a eutanásia, mas a distanásia e a ortotanásia estão em questão. Quando
estamos lutando com um doente para mantê-lo vivo, estamos prolongando a vida ou
a agonia da morte? Porque se estamos prolongando a agonia da morte, estamos
praticando a distanása. E a realidade das UTIs é que a distanásia
é praticada rotineiramente.
Devemos
distinguir a eutanásia voluntária, que seria o suicídio assistido, como o que
foi desenvolvido pelo Dr.Kevorkian, da eutanásia
involuntária, que é decidida por outros, sem a participação do doente.
Também devemos ter em mente que a medicina tem por escopo
auxiliar e promover a recuperação natural da saúde. Assim, a retirada de meios
de suporte em casos sem esperança não é considerado eutanásia.
Não existe discussão quanto ao dever de exercer misericórdia,
mas esse dever não deve levar a infração de outros postulados morais. É fato,
como ensinado por Kierkegaard, que Deus, em sua
soberania, suspende a ética em algumas ocasiões, como vemos claramente em
várias narrativas do Velho Testamento. Mas isso é atributo divino. O versículo de Isaias que
nos lemos se enquadra aqui. Deus, em sua soberania, pode suspender a ética, e
intervir. Se ponderarmos, veremos que há uma coerência divina. Quanto a nós,
temos que agir no máximo de nosso entendimento, procurando ter uma ética
aprovada por Deus, não no lugar de Deus.
Contra a eutanásia podemos considerar o seguinte: - Da
perspectiva do paciente, existe quase sempre uma sensação de que ele é um peso
morto, e de que o viver não tem mais sentido. Quase nunca ele considera que o
viver dele pode de fato ter sentido para outros.
Do ponto de vista dos médicos e da enfermagem, a eutanásia
pode levar a uma perda de confiança na sociedade, na sua capacidade de cuidados
com doentes graves, e induzir a um julgamento pessimista da situação. Além
disso, leva também a uma divisão na equipe de trabalho, seja em opiniões, seja
na esfera de competências.
Do ponto de vista da sociedade, há um grande perigo de que da
eutanásia voluntária se passe para a eutanásia compulsória, como já ocorreu na
história, na Alemanha nazista. O tráfico de órgãos é uma ameaça muito presente,
com o aumento das possibilidades de transplantes. E há também a questão dos
voluntários para experiências médicas, que tem a aparência de um gesto nobre,
mas na realidade barateia a vida, e valoriza demais a autoridade humana sobre a
vida.
A experiência pessoal de cada um, e o ensino bíblico estão de
acordo que a morte é inevitável para todos; a esperança do cristão está na
ressurreição, com um corpo transformado, como o de Cristo. Mas mesmo o cristão,
que tem essa certeza, não lida bem com o conceito de morte. O salmista descreve
a situação de risco de morte como um vale escuro (Sal. 23:4); o Apóstolo Paulo,
em 1 Cor. 15:26, descreve a morte como um inimigo, que
ao fim será destruído. Mas até a morte ser destruída pela vitória, (1 Cor. 15:54), nos todos a vemos como um inimigo, não como amigo. E
isso dificulta um bom julgamento ante ela, a morte.
Mas devemos nos lembrar que Cristo nos liberta do medo da
morte. Ele nos liberta dela, e nos da nova vida, transformando a morte em um
interlúdio, que não nos separa do amor de Deus que é nosso em Cristo (Rom. 8:38, 39).
Voltando ao assunto: a eutanásia é possível, é praticável? A
resposta pragmática é não.
É impossível se estabelecer medidas de segurança adequadas,
tanto para o paciente como para a sociedade. As questões de seguro de vida, de
heranças e outros quesitos legais são quase que insuperáveis por si só.
A pessoa que assina um documento optando pela eutanásia o faz
com saúde, e não será a mesma pessoa por ocasião da utilização do documento,
quando estará sob o impacto da doença.
A depressão, ou a confusão mental, demandam tratamento
psiquiátrico, que nem sempre é disponibilizado, sendo esse tratamento
psiquiátrico substituído por uma opção pela eutanásia.
Colocando a questão de sua própria morte em pauta, em Fil. 1:21-30, o Apóstolo Paulo
pondera que a vontade de Cristo deve prevalecer, mesmo que ele, o Apóstolo,
preferisse morrer.
Como então conciliar a misericórdia devida a esses doentes
com a impossibilidade da eutanásia? Devemos melhorar os cuidados aos pacientes
pré-terminais. Deve ser providenciado o apoio médico, psiquiátrico, e espiritual necessários; os hospitais e clínicas devem
desenvolver programas de capacitação de seu pessoal para lidar com a morte e o
paciente moribundo; e compete ao estado, e a nós cristãos, promover uma
educação social, para que as famílias em geral, e as pessoas em particular,
saibam lidar com a morte. A melhor maneira é pregar a verdade da cruz (1 Tes. 4:13-18), mostrando que entre
há esperança, e que o versículo seguinte
de Isaías, o 57:2, vale sempre para nós cristãos:
“Aqueles que andam
retamente entrarão na paz; e acharão descanso na morte”.
Andar
retamente é andar com Jesus.
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