Rev. Nelson de Oliveira e Souza

 

 

(12-04-1915 a 17-07-2010)

 

 

 

Nelson de Oliveira e Souza nasceu aos doze dias do mês de abril de 1915, na cidade de Jaú (SP).

        Era filho de Flamínio de Oliveira e Souza e Maria Rosseti. Foi batizado em 05 de setembro de 1915 na IPB de Jaú, pelo Rev. Herculano de Gouveia. Fez profissão de fé em 31 de dezembro de 1933 na mesma igreja em que foi batizado. Estudou no Seminário Presbiteriano do Sul do Brasil em Campinas, e foi ordenado pastor pelo Presbitério Oeste de São Paulo em 15 de janeiro de 1939.

        Em 21 de junho de 1945 a Comissão Executiva entregou-lhe a IPB de Lambarí (MG), e as Congregações de Jesuânia e Cambuquira (MG). Foi eleito secretário do trabalho da Mocidade.

        Em setembro de 1946 ausentou-se de sua igreja por motivo de enfermidade, e pediu substituto, com plena concordância do Concílio.

        Transferiu-se para o presbitério de Campinas em 09 de agosto de 1957. Na ocasião, o Presbitério do Sul de Minas agradeceu ao nobre servo de Deus sua excelente cooperação como pastor-evangelista da Igreja de Lambarí.

        Em fevereiro de 1953 conheceu a jovem Ydê Coelho Martins, com quem se casou na IPB de Serra Negra em 07 de outubro de 1953.

        Da união nasceram 5 filhos: Nelide (in memorian), Priscilla, Lílian, Celso e Silas.

        Em 1954 foi designado pelo Presbitério de Campinas (SP), pastor-evangelista da cidade de Serra Negra (SP). O Rev. Nelson iniciou o trabalho em Serra Negra num salão alugado. Pastoreou a igreja por 16 anos. A história da fundação da IPB de Serra Negra foi transcrita por ele no artigo “Uma pequena semente que virou árvore”, anexo.

        Em 22 de janeiro de 1969 foi designado pastor das IPBs de Monte Mor (SP) e Hortolândia (SP).

Em Monte Mor, ele construiu o pavilhão da igreja, desse modo, a igreja pôde, na época, realizar seus cultos num salão novo e maior.

        Foi eleito membro da Comissão do Estado Religioso do Concílio em 19 de janeiro de 1970. Em 10 de janeiro de 1974 obteve licença para tratamento de saúde e em 1976 aposentou-se por motivo de doença.

        Aposentado, dedicou-se a sua família e aos cuidados de sua filha Nelide, que tinha problemas de saúde. Exerceu uma influência poderosa na vida dos filhos e netos, de tal maneira que alguns estão no ministério de tempo integral e os outros estão todos firmes nos caminhos de Deus.

        Foi chamado ao quartel-general para receber as merecidas condecorações em 17 de julho de 2010, aos 95 anos, deixando saudosa recordação nos corações de todos que o conheciam.

 

Testemunho da esposa

        Eu, como esposa, fiz o que podia para ajudá-lo no ministério. Deus me ajudou muito na convivência com ele. Ele era “durão” comigo e com os filhos. Não foi nada fácil, mas Deus me deu “graça” até o fim.

        Aos 90 anos fraturou a perna e não andou mais. Lia a Bíblia o dia todo. A Bíblia era sua companheira constante. Dormia sentado com a Bíblia aberta no colo. Nesse tempo Deus foi moldando a sua vida completamente.

        Ele sempre foi um homem provedor para a família. Tinha um carinho especial pela saúde de todos.

        Nesse tempo de enfermidade, ele se tornou uma pessoa amável, tratando os filhos com carinho, conversava com eles. Saudava-os com: “Oi, Beleza”!

        A mim, esposa, ele pediu muito perdão e perguntou-me:

        - Você não reclama? Ao que respondi: - Não! A dedicação e o amor que tive e tenho por você serão até o fim.

        Ele foi transformado por Deus. Ele me disse: - Se não fosse você, que seria de mim? Onde estaria hoje?

        A minha eterna gratidão ao Pr. Bezaleel e sua esposa Quitéria (I.P. Jd. Guanabara – Campinas (SP), pela assistência que deram ao Nelson. Visitavam-no sempre e oravam por ele. Pr. Bezaleel trazia com ele as Senhoras da SAF da igreja e fazia um culto aqui em casa. Muito obrigado, pastor.

        Eu Ydê, e os filhos: Priscilla, Lílian, Celso, Silas e Nelide (in memorian), agradecemos  pela vida e testemunho do pai. A saudade é muito grande.

        Em Cristo,

        Ydê Coelho e Souza.

   

 

                                Uma pequena semente que virou árvore.

                                A história da IPB de Serra Negra – SP

 

        Era final de 1948, a família Souza chegava a Serra Negra. Alugaram um apartamento no “Prédio das Arcadas” de fronte ao Rádio Hotel, onde se hospedaram o Dr. Vicente de Barros e sua esposa, Da. Eunice, membros da Igreja Presbiteriana Unida de São Paulo. Com a presença do querido casal, foi promovida uma noite de vigília em que estavam presentes: a irmã Rosseti Souza e seus filhos (Nelson de Oliveira e Souza e Danira), o casal Barros, e algumas outras pessoas. Essa reunião tão simples daria início ao trabalho presbiteriano na cidade. Após a auspiciosa reunião, Dr. Vicente de Barros comprometeu-se a estar com o grupo aos domingos para auxiliar em visitação domiciliar e na realização dos cultos. Às expensas da família Souza, um salão seria alugado no prédio das Arcadas para a realização dos cultos. Assim foi promovida uma campanha de visitação nos lares e convites para o Culto Divino. Num daqueles domingos foi feita uma reunião especial no “Campo dos Sete”, com distribuição de folhetos.

        No salão alugado, o Rev. Nelson de Souza celebrou, numa das primeiras reuniões, as núpcias dos irmãos em Cristo, Saulo Vieira e Joana. O trabalho prosseguiu sem interrupções e contando com a colaboração de não poucos servos de Deus, presbiterianos que vinham a Serra Negra. Vários seminaristas estiveram presentes e deram a sua cooperação. Certa vez uma caravana de seminaristas veio e realizou um trabalho em praça pública. Naqueles saudosos tempos o irmão Saulo Vieira, que possuía um Ford 29, ajudava no transporte de cadeiras.

        O grupo precisava de um imóvel próprio. A provisão divina manifestou-se através da bondade do irmão Benedito Freire Napoleão, que doou uma propriedade a esse grupo incipiente de presbiterianos. A propriedade situava-se à Rua João Pessoa e media: 14 metros de frente por 40 metros de fundos. Havia ali algumas casas, construções velhas. O Rev. Nelson foi o intermediário da doação, que recebendo a escritura em cartório registrou-a em nome do Presbitério de Campinas, que dessa forma tornou-se o legítimo proprietário. Outros donativos constam do “Livro de Ouro” das ofertas das irmãs: Virginia Santana de Carvalho e Suzana Armênio. A irmã Danira de Souza Miguel, uma dos membros fundadores, mesmo morando distante, enviava fielmente seus dízimos e ofertas para apoiar a nova igreja. Deus despertara o desejo de contribuir até em irmãos de outras denominações, como a irmã Etelvina, da Assembléia de Deus, que recebendo uma herança, repartiu com a igreja o seu quinhão. O irmão, Dr. Jovelino de Oliveira e Souza doou o púlpito. O belo órgão foi doado pelo irmão Shin-i-ichiro Murakami da Igreja Holiness em São Paulo. Relativamente à construção do templo, mercê de Deus, justiça seja feita, não se pode esquecer a irmã Maria Rosseti de Souza, mãe do Rev. Nelson, a ela coube um papel saliente. Eram notórias as suas iniciativas e operosidade.

        Deus também providenciou uma organista, a irmã Ydê C. e Souza, esposa do Rev. Nelson, que serviu fielmente ao Senhor naquele posto durante 16 anos, executando belíssimos hinos, até que a família do Rev. Nelson se mudou para um novo ministério em princípio de 1968.

        Com a provisão dos recursos, o grupo mudou-se para a construção adaptada da Praça João Pessoa. O Rev. Nelson, responsável por pastorear aquele rebanho realizava os trabalhos aos domingos e quartas feiras, à parte de qualquer remuneração, mais tarde, mudando-se por motivos de saúde e financeiros, para um sítio no mesmo município. Nunca deixou de estar presente e atuar nos cultos regulares.

        Depois da saída do Rev. Nelson, outros continuaram a obra, novos vieram e, com a cooperação dos últimos, como dos primeiros, a pequena semente cresceu, tornou-se uma frondosa árvore.

        A cidade cresceu, a propriedade valorizou muito. Parabenizamos o Presbitério de Campinas pela excelente permuta da antiga propriedade por um novo prédio, construído especialmente para a igreja, mais amplo, confortável e moderno.

        Rogamos instantemente a Deus para que cada ramo (membro) da Igreja Presbiteriana de Serra Negra seja como aquelas “varas que dão fruto”, segundo a parábola do Mestre.

        Possa o orvalhar do Espírito Santo, ser aspergido cada manhã sobre elas, fazê-las crescer, florescer e frutificar para a obra de Deus.

        “Bendito o que vem em nome do Senhor” (Salmos 118:26).

                                            

                                                         Rev. Nelson de Oliveira e Souza.

 

P.S. Rev. Nelson, quando pastor em Serra Negra, morava num sítio à 40 minutos (de carro) de Serra Negra. Ele e a esposa levantavam às 4h da manhã aos domingos, e tiravam leite de muitas vacas. Depois de cumpridas as obrigações no sítio, todos os domingos, fielmente, o pastor Nelson e família chegavam pontualmente à Escola Bíblica Dominical às 9h.

 

                                     Poesia predileta

Eu me lembro,

Eu me lembro;

Era pequeno, brincava na praia

O mar bramia...

E erguendo o dorso altivo,

Sacudia a branca espuma para o céu sereno.

E eu disse a minha mãe neste momento:

Que dura orquestra! Que furor insano!

Que pode haver maior do que o oceano?

Minha mãe, a sorrir, olhou pro mar, olhou para os céus e respondeu:

“Um Ser que nós não vemos,

É maior do que o mar que tememos,

É mais forte do que o tufão, mais forte que o vento,

Meu filho... É Deus”.